Caio Nelson Vono de Azevedo

CADEIRA #04

O Acadêmico CAIO NELSON VONO DE AZEVEDO (Letras) é mineiro de Paraisópolis, nascido em 31 de março de 1941, tendo sua família se transferido para Santa Rita do Sapucaí quando tinha 4 anos de idade. Advogado, doutor em direito, administrador de empresas, pianista, compositor, radialista, jornalista e escritor, foi também crítico musical e repórter do Jornal de Brasília e apresentador de um programa sobre história do Jazz e pianista da Brasília Super Rádio FM, do Programa “Um Piano ao cair da Noite”.

Em música usa o nome artístico de Caio Vono. Produziu e apresentou em diversos Estados do Brasil os recitais “A História do Jazz Contada ao Piano”, “A História do Tango Contada ao Piano” e “Uma Viagem Musical pelo Mundo”. Além do Brasil, Caio Vono já se apresentou nos Estados Unidos (onde foi entrevistado pela Voz da América e tocou no Museu do Jazz, em New Orleans), Cuba, Portugal e Japão. Autor dos livros “Introdução ao Jazz e seus estilos” , “O Ragtime e os Caminhos do Jazz”, bem como dos livros jurídicos “Teoria Geral do Estado” e “Teoria do Estado-parte geral do Direito Constitucional”.

É membro da Academia Poços-Caldense de Letras (Cadeira nº 27-Patrono D.Pedro II) e da Academia Santa-Ritense de Letras, Ciências e Artes
(Cadeira nº 04- Patrono Vicente Vono), de Santa Rita do Sapucaí MG e da Associação dos Oficiais da Reserva do Exército Brasileiro- AOR/EB.

Em sua carreira de advogado e administrador de empresas, foi advogado, gerente e diretor de várias empresas nacionais, inclusive estatais e estrangeiras, entre elas a TELEMIG, Krupp e Helicópteros do Brasil S.A.- HELIBRAS. Atualmente aposentado, foi professor universitário de Direito Administrativo, Direito Internacional Público e Privado, Teoria do Estado e Direito Empresarial. 

VICENTE VONO

Vicente Vono nasceu em 8 de junho de 1905 na cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG, filho de José Antonio Vono e Zulmira Siécola Vono.

Mais tarde mudou-se para Belo Horizonte, onde deu continuidade aos estudos no período de 1926 a 1931, quando então residiu numa república de estudantes situada na Rua Curitiba, 2164 – Bairro de Lourdes, juntamente com Bilac Pinto, José Maria de Alkimin, Guimarães Rosa, Gabriel Passos e Pedro Aleixo.

Formou-se em Medicina em 1931, pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo se especializado em urologia e posteriormente, em cardiologia, este último curso feito em São Paulo.

Na Revolução Constitucionalista de 1932, como Capitão Médico, integrou a Polícia Militar de Minas Gerais e esteve em época de combate no Túnel de Passa Quatro, juntamente com Guimarães Rosa, Juscelino Kubitschek e Gabriel Passos, também capitães médicos daquela corporação.

No ano de 1936 ocorreu em Minas Gerais um verdadeiro fenômeno nos meios radiofônicos: um “caipira” autêntico surgiu ao microfone da PRI-3, Rádio Inconfidência de Minas Gerais, a mais potente do Estado naquela época. Aparecia, com enorme sucesso, o misterioso “Compadre Belarmino”.

Voz com dicção clara, linguajar matuto usando o vocabulário de roceiro, contando “causos” e estórias engraçadíssimas e originais, sem imitar ninguém.

O sucesso veio de tal forma que, na hora do “Programa do Compadre Belarmino”, os aparelhos de rádio estavam ligados na Inconfidência por toda Minas Gerais, cidades do interior do Brasil, fazendas, povoados e bibocas por aí afora.

Os jornais de Belo Horizonte, Rio e São Paulo dedicavam páginas sobre o “Compadre Belarmino”, o primeiro humorista do rádio brasileiro!

Mas quem seria esse “Compadre Belarmino” ? A emissora não declarava seu nome. Guardava-se absoluto segredo sobre a identidade do famoso humorista e contador de “causos”, o qual nunca havia atuado em outras emissoras.

Ninguém conhecia o nome verdadeiro do “Compadre”.

Até que um dia, um jornalista que vivia sempre pelos corredores da PRI-3 soltou a bomba e pela sua coluna de jornal revelou: o “Compadre Belarmino” era um médico A notícia causou enorme espanto por toda Minas Gerais.

Sim, era o Dr.Vicente Vono, cardiologista famoso, que com perfeição imitava o nosso
homem da roça. Quando estudante, ele havia criado o personagem para atuar nos teatros estudantis.

Sabedor disso, Israel Pinheiro, então Secretário da Agricultura no governo de Benedito Valadares, convidou o já então médico Vicente Vono a apresentar o “Programa do Compadre Belarmino” na Rádio Inconfidência, em 1936. O “Compadre Belarmino” recebia mais de três mil cartas por mês, vindas de todas as regiões do país.

Para ajudá-lo quanto a isto, ele teve dois eficientes secretários, ambos estudantes de Direito: o santarritense Walter Cabral e posteriormente, Rondon Pacheco.

Vicente Vono teve entre seus maiores admiradores o Presidente Getúlio Vargas. Quando Getúlio visitou a Argentina, Vicente Vono foi convidado a integrar a comitiva oficial àquele país.

Com o próprio Getúlio e sua filha Alzira Vargas, Vicente Vono manteve grande amizade, sem ter sido profissional da política.

Quando Getúlio vinha a Minas Gerais, nas termas de Araxá, São Lourenço ou Poços de Caldas, mandava buscar o “Compadre Belarmino” para uma boa conversa. Vicente Vono, sob o pseudônimo famoso, atuou no rádio até 1946.

Já nesta época outro humorista aparecia, com o mesmo sucesso, o “Bentinho”, seu irmão José Antonio Vono Filho, que integrou duplas sertanejas com Alvarenga e posteriormente com Xerém, tendo inclusive participado do filme “Banana da Terra”, com Carmem Miranda, Grande Otelo, Linda e Dircinha Batista, entre outros.

Vicente Vono faleceu em Belo Horizonte no dia 19 de Junho de 1980.

Na Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí, Vicente Vono é patrono da Cadeira nº 4, ocupada por seu sobrinho Caio Nelson Vono de Azevedo.

Algumas obras: